domingo, 12 de maio de 2013

Se o amor tivesse um poema
Este seria o poema
E se tu meu amor, escapasses
Seria um problema.
Esperaria eternamente junto a uma janela
Para que voltasses, a voar
E viesses para ficar.
Escorrer lágrimas molhadas
Do meu peito e do meu olhar
Se não estás por perto,
Tornasse difícil o respirar.
Demora o tempo que precisares,
Podes atrasar-te assim...
Não existe escala que meça a magnitude da latitude
Do meu amor por ti.
Devemos existir no mesmo tempo e espaço
Dizem que não és certa para mim,
Já nem sei o que faço...

Quero fazer amor com a tua existência,
Embrulhar-me nas cores das tuas energias,
Depois recordar e masturbar-me com as memórias...
Quero perder-me a mim mesmo dentro de ti,
Até que me encontres e me deixes confinado à liberdade da tua prisão,
Até que todos os nossos pensamentos entrem em colisão.
Quero beber o suor do teu intelecto,
Ver o reflexo da luz da paixão em teu pescoço,
Gemido em uníssono eu ouço,
Despido até à nudez do amor puro,
Sente agora meu corpo duro, que arde...
Quero fazer amor com a minha cara metade.
Quero terminar e chegar ao clímax das palavras e ideias sem solução,
Quero que tu e eu sejamos um com a meditação.
Não quero sair deste infindável labirinto,
Porque isto é poesia
E é assim que eu a sinto.  

terça-feira, 30 de abril de 2013

Pergunto-me, porque só escrevo sobre temas tristes?

Talvez seja, por ser apenas um ser miserável, sem nada mais para dar...
Ou talvez, por me cravares todos os pregos que conseguiste encontrar, até me deixares imóvel, preso a este chão imundo e fétido...
Ou talvez seja, por estar cheio de estar tão vazio, tão vazio que não existe mais espaço para a felicidade...
Felicidade essa que conseguiste espremer até à última gota, ficando apenas um coração podre, frio e cinzento...

Pergunto-me, porque só escrevo sobre temas tristes?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sinto-a , quente
Se ao menos pudesses ficar,
Noite, consome-me.
Sinto-a, quente
Se ao menos pudesses ficar,
Noite, devora-me.
Repete...
Repetição...

terça-feira, 2 de abril de 2013

Partiste num silêncio duro
Não deixaste melodia
Fiquei assim no escuro
Sem ver a luz do dia

Quando tocavas
Ouvia o sentimento
Do amor que transbordavas
Mas nunca o do arrependimento

Por não saber tocar
Vivia na ilusão
Que só poderias criar
Música para o coração

Enganado com leviandade
Descobri com a minha destreza
Que as teclas brancas são a felicidade
E as pretas a tristeza

E para meu grande engano
Surpresa e angustia
Aprendi que a vida é um piano
Onde as teclas pretas também fazem música...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Finalmente entendi que esquecer
Não significa ignorar um telefonema
É aceitar que te perdi
Encará-lo sem problema

Esquecer não é evitar encontros casuais
É poder partilhar o mesmo ambiente
É não incomodar os demais
Conseguir manter-me indiferente

Aprendi que quando se esquece alguém
Se atende sempre a chamada
Tu já não és ninguém
A voz já não me falha nem nada...

Descobri que encontros esporádicos
Não são coisas do passado, mas modernas
Já não me lembram velhos hábitos
Já não me fazem tremer as pernas

Para meu louvor
Não escorre por ti mais uma lágrima molhada
Apenas descobri que a parte mais triste do amor
É não se sentir nada...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Eu tentei dizer

Eu tentei dizer
Algo que não pode ser dito
Gritar o que não pode ser ouvido
Tentei dizer algo que as palavras não dizem

Eu tentei dizer
O que não pode ser entendido pelo coração
O que não pode ser pensado pela razão
O que não pode ser consciencializado pelo inconsciente

Eu tentei dizer
Tudo o que não pode ser expresso
Tudo o que não faz qualquer nexo
E as palavras que encontrei para dize-lo
Não foram palavras nenhumas

Eu tentei dizer
Coisa nenhuma... 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Suplício, Martírio...

Abandonado e sem rumo
Assim vou sobrevivendo
As ideias não as arrumo
Deixo-as na noite ao relento
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

O sol já se foi
E as flores do nosso amor murcharam
Só eu sei como dói
As ausências dos que pereceram
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

Deveria ter-me afogado
Em todos os rios de água pura
Do nosso reino encantado
Evitando assim esta realidade dura
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

Sim podia ter tentado
E desistido da minha vida por nós
Mas porquê perder o meu tempo desequilibrado
Quando o mundo que temos é teu, e é atroz?
Sabendo que a vida é um martírio, um suplício,
O desejo é só um o do suicídio...