segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Metamorfose

Estou em estado de metamorfose
Esta mudança é inevitável
Não que eu assim o quisesse
Mas as circunstâncias da vida assim o ditaram

No momento em que te perdi
Odiar-te foi inevitável
E fui assolado por sentimentos que nem sabia que existiam
É duro aceitar esta metamorfose

Entre outras coisas, para mim
Eras uma janela através da qual podia ver o mundo
Sozinho não o poderia fazer
É verdade a forma como me sinto

Perdidamente apaixonado, mas por outro lado
Um naufrago encantado por uma ninfa e deixado a morrer na solidão de uma ilha deserta
O som da tua voz ainda está pintado na minhas memórias
E agora mesmo que não estejas comigo, eu estou contigo.

Anseio ouvir esse piano tocar
E soa tão bem
Essa melodia que não me pode enganar, pois
Como te conheço a ti não conheço ninguém

Estou em metamorfose, dolorosa
Que me deixa numa tremenda agonia
Pois amanheço prosa
E anoiteço poesia...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Insónia

Tenho insónias
E não consigo dormir
São tantas as agonias
Que me vêem possuir

Agonias de ser
Quem sabe de viver
Não sei o que estou a fazer
Estou prestes a morrer

Sem dar conta adormeço
Todo o meu eu se apazigua
Sinto-me de novo no berço
Que me embala aquela mão, a tua

O mal estar, a tortura
A impiedosa agonia
Já cessaram, e também a loucura
Que no meu cérebro ardia

E o delírio que é viver
Que na minha mente existia
Começou a desaparecer
À medida que adormecia

Que bom não sentir
Mais dor nesta ferida
Pois quando estou a dormir
Não penso na vida...