quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A tal

Impossível
Pensar com a cabeça
E não com o coração
Não quando és tu
Tu, que estás em questão
Que me retiras a noção
De rima e de métrica
Que me roubas a veia poética
Desejo-te sem pensar
Nem presente nem passado
Conseguem apagar o que sinto
Grito-o bem alto
E não minto
Quero que todos saibam
Que és a tal
Não consigo explicar
Algo que não é racional
Retiras-me a noção
De moral e de ética
Sim tu,
Que me retiras a veia poética.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Metamorfose

Estou em estado de metamorfose
Esta mudança é inevitável
Não que eu assim o quisesse
Mas as circunstâncias da vida assim o ditaram

No momento em que te perdi
Odiar-te foi inevitável
E fui assolado por sentimentos que nem sabia que existiam
É duro aceitar esta metamorfose

Entre outras coisas, para mim
Eras uma janela através da qual podia ver o mundo
Sozinho não o poderia fazer
É verdade a forma como me sinto

Perdidamente apaixonado, mas por outro lado
Um naufrago encantado por uma ninfa e deixado a morrer na solidão de uma ilha deserta
O som da tua voz ainda está pintado na minhas memórias
E agora mesmo que não estejas comigo, eu estou contigo.

Anseio ouvir esse piano tocar
E soa tão bem
Essa melodia que não me pode enganar, pois
Como te conheço a ti não conheço ninguém

Estou em metamorfose, dolorosa
Que me deixa numa tremenda agonia
Pois amanheço prosa
E anoiteço poesia...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Insónia

Tenho insónias
E não consigo dormir
São tantas as agonias
Que me vêem possuir

Agonias de ser
Quem sabe de viver
Não sei o que estou a fazer
Estou prestes a morrer

Sem dar conta adormeço
Todo o meu eu se apazigua
Sinto-me de novo no berço
Que me embala aquela mão, a tua

O mal estar, a tortura
A impiedosa agonia
Já cessaram, e também a loucura
Que no meu cérebro ardia

E o delírio que é viver
Que na minha mente existia
Começou a desaparecer
À medida que adormecia

Que bom não sentir
Mais dor nesta ferida
Pois quando estou a dormir
Não penso na vida...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Efémera

Está escuro,
Acendo uma vela
No céu puro
Apenas uma estrela

Brilha intensa
Como se fosse chama
Quero que me pertença
Por mim ela reclama

Não consigo tocá-la
A força me está faltando
Sem força e sem fala
Os meus membros não comando

Imóvel me deito
Observando como cintila
Imóvel no meu leito
Meu coração por ela jubila

Incapaz de alcança-la
A noite com ela se findou
A tristeza ainda me abala
E a vela já se apagou...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fracasso

O fracasso não tem amigos
Mas acompanha-me como o meu melhor
Já não tenho refúgios nem abrigos
A minha vida perdeu toda a cor

Se cada fracasso me ensina,
Algo que precisava de aprender
Não entendo esta sina
Que insiste apenas em fazer-me sofrer

Sinto-me inútil
E um fracassado
Não faço nada de útil
Na minha vida só existe o errado

Se fracassar nos dá a oportunidade
De começar de novo com inteligência
Sou mesmo uma nulidade
Pois não consigo sair desta demência

Apesar de tudo e pouco confiante
Sem sentimento e coração de aço
Estou grato por ter sido perseverante
Por ter feito um esforço digno de ser chamado fracasso...