sexta-feira, 29 de março de 2013

Finalmente entendi que esquecer
Não significa ignorar um telefonema
É aceitar que te perdi
Encará-lo sem problema

Esquecer não é evitar encontros casuais
É poder partilhar o mesmo ambiente
É não incomodar os demais
Conseguir manter-me indiferente

Aprendi que quando se esquece alguém
Se atende sempre a chamada
Tu já não és ninguém
A voz já não me falha nem nada...

Descobri que encontros esporádicos
Não são coisas do passado, mas modernas
Já não me lembram velhos hábitos
Já não me fazem tremer as pernas

Para meu louvor
Não escorre por ti mais uma lágrima molhada
Apenas descobri que a parte mais triste do amor
É não se sentir nada...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Eu tentei dizer

Eu tentei dizer
Algo que não pode ser dito
Gritar o que não pode ser ouvido
Tentei dizer algo que as palavras não dizem

Eu tentei dizer
O que não pode ser entendido pelo coração
O que não pode ser pensado pela razão
O que não pode ser consciencializado pelo inconsciente

Eu tentei dizer
Tudo o que não pode ser expresso
Tudo o que não faz qualquer nexo
E as palavras que encontrei para dize-lo
Não foram palavras nenhumas

Eu tentei dizer
Coisa nenhuma... 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Suplício, Martírio...

Abandonado e sem rumo
Assim vou sobrevivendo
As ideias não as arrumo
Deixo-as na noite ao relento
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

O sol já se foi
E as flores do nosso amor murcharam
Só eu sei como dói
As ausências dos que pereceram
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

Deveria ter-me afogado
Em todos os rios de água pura
Do nosso reino encantado
Evitando assim esta realidade dura
Sabendo que a vida é um suplício, um martírio,
O desejo é só um o do suicídio...

Sim podia ter tentado
E desistido da minha vida por nós
Mas porquê perder o meu tempo desequilibrado
Quando o mundo que temos é teu, e é atroz?
Sabendo que a vida é um martírio, um suplício,
O desejo é só um o do suicídio...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Medo

Tenho medo,
Medo de abrir o jogo,
Medo de arder no teu fogo.

Tenho medo,
Medo de lutar,
Medo de ser fustigado,
Tenho medo, medo de ser derrotado.

Tenho medo,
Medo das tuas palavras,
Tenho saudades de quando me tocavas...

Tenho medo,
Medo da perfeição,
Medo da rejeição,
Medo de não valer nada de jeito...
O mundo que me rodeia está longe de ser perfeito.

Tenho medo,
Medo de me perder,
Medo de me encontrar,
Tenho medo de não ter
Medo de não ter, nada mais para oferecer.

Tenho medo do desespero,
Tenho medo da loucura,
Tenho medo desta dor
Que no meu peito ainda perdura.

Tenho medo,
Medo de ficar no teu colo,
Tenho medo,
Tenho muito medo,
Medo de estar a perder o controlo!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Interesse

Parece interessar o que faço
Então estou a guardar para ti
Pois parece ser o último pedaço que existe
E ainda não tiveste oportunidade de prová-lo
Fragmentos de uma vida que não devias ter desperdiçado.

Parece interessar o que digo
Então prendo a minha língua forte
Prefiro beijar a tua testa levemente
Para que as tuas dúvidas não venham escurecer o teu dia
Para que possas levantar a cabeça e enfrentar o que aí vem.

Parece interessar onde vou
Então vou sempre deixar-te saber
Que o local onde estou nunca é longe
Tu sabes que não estás sozinha não te assustes
Vou encontrar-te não importa onde estejas.

Talvez nada disto seja relevante
Mas sou capaz de fazê-lo
Estou disposto a aceitar o que aí vem
Preciso de ser feliz
Por isso entrego-me a ti completamente...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A tal

Impossível
Pensar com a cabeça
E não com o coração
Não quando és tu
Tu, que estás em questão
Que me retiras a noção
De rima e de métrica
Que me roubas a veia poética
Desejo-te sem pensar
Nem presente nem passado
Conseguem apagar o que sinto
Grito-o bem alto
E não minto
Quero que todos saibam
Que és a tal
Não consigo explicar
Algo que não é racional
Retiras-me a noção
De moral e de ética
Sim tu,
Que me retiras a veia poética.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Metamorfose

Estou em estado de metamorfose
Esta mudança é inevitável
Não que eu assim o quisesse
Mas as circunstâncias da vida assim o ditaram

No momento em que te perdi
Odiar-te foi inevitável
E fui assolado por sentimentos que nem sabia que existiam
É duro aceitar esta metamorfose

Entre outras coisas, para mim
Eras uma janela através da qual podia ver o mundo
Sozinho não o poderia fazer
É verdade a forma como me sinto

Perdidamente apaixonado, mas por outro lado
Um naufrago encantado por uma ninfa e deixado a morrer na solidão de uma ilha deserta
O som da tua voz ainda está pintado na minhas memórias
E agora mesmo que não estejas comigo, eu estou contigo.

Anseio ouvir esse piano tocar
E soa tão bem
Essa melodia que não me pode enganar, pois
Como te conheço a ti não conheço ninguém

Estou em metamorfose, dolorosa
Que me deixa numa tremenda agonia
Pois amanheço prosa
E anoiteço poesia...